Tempo

Seria mais fácil se fosse possível fazer as coisas por etapas, e em cada um delas dedicar-me apenas e só a uma causa…
Custa-me que este exame, o grande exame que nos passa de um estudante de medicina crescido num médico recém-nascido, com tudo por aprender, seja tão importante - ou, não o sendo, que o pareça.
Custa-me não ser capaz de fazer um intervalo em tudo, apenas para me dedicar a fundo a isto e ter a certeza que o resultado será o melhor que eu posso dar.
E custa-me que, às vezes, nem eu própria já consiga compreender este cansaço e esta causa.
Seria mais fácil, sem dúvida, se fosse possível fazer disto um parêntesis no tempo.
Julguei que fosse mais fácil separar tudo do resto, mas continua a ser preciso disponibilidade para os outros, sorrisos. Continua a ser preciso tempo para ouvir, para ajudar em mil e uma coisas. Continua a ser preciso brincar com os outros, para que os dias sejam mais fáceis. Julguei que ia ser mais fácil - como sempre dizem, as pessoas compreendem. O que eu não estava à espera é que eu própria precisasse tanto destas pequenas coisas.
Não é fácil dizer que não a tanta coisa, que rouba(?) tempo ao trabalho, mas acrescenta tempo à vida, que ajuda a manter laços, a manter a teia que liga ao mundo, que continua lá e não quer saber de momentos parados e de importância sobrestimada. “Faz-se o que se pode” - cai-se nas frases feitas. Faz-se menos (ou trabalha-se menos) e, apesar da recordação agridoce do dever incumprido, o coração fica mais cheio.
Estuda-se até mais tarde, volta-se da festa mais cedo (mas vai-se à festa na mesma!! :P).
Para criar tempo dentro do tempo para quem interessa, para o que faz sorrir, para o que dá alento para continuar.