Curtas da urgência
[e prometo que não escrevo mais posts médicos esta semana... benvindos ao mundo das 42 horas semanais de trabalho e à ausência de outros temas interessantes de conversa no meu pequeno mundo]
O Sr. A tem 80 e muitos anos e tudo o que a idade lhe dá direito: insuficiência cardíaca congestiva, angina de peito, hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo II e, desta vez, uma infecção respiratória com insuficiência. Está deitado numa maca periclitante e está a fazer oxigenoterapia.
Depois de lhe fazer o exame físico - com a atenção que resta depois de 8 horas de urgência nocturna (e 8 horas bem devidas aos lençóis), digo-lhe:
- Sr. A., vou só virar-lhe as costas um bocadinho para escrever no computador o exame que lhe fiz, e daqui a pouco vou ter que o picar para ver como está o oxigénio no sangue, [vulgo gasimetria, colheita de sangue arterial, procedimento doloroso q.b. para o doente e de sucesso técnico caprichoso], pode ser?
- humpf grumpf grumpf… (ou algo parecido vindo de dentro da máscara de oxigénio).
[Pausa na dactilografia da história, nova voltinha na cadeira, tiro a máscara.]
- Ora diga lá, Sr. A?
- Oh Dra., eu estava a dizer… mas há alguma coisa que a Dra. peça, que eu não faça com um sorriso?
He he…as feromonas de novo em acção!!!