Thursday, April 12, 2007

Tinhas razão, quando dizias que a arte é o princípio de tudo.
O princípio de tudo o que é feito na crença da perfeição - mesmo que a perfeição não exista, que não passe de uma miragem inalcançável que nos permita dar o que, de outro modo, nunca teríamos acreditado ser possível dar.

Tinhas razão quando citavas Eça, e dizias que “a arte é tudo, tudo o resto é nada”.
Nem que seja porque em tudo em que ela não existe, não existe o fermento da mudança, o deslumbramento de uma esperança sempre nova.

Deixa-me encher de luz este silêncio de um dia em que se deu tudo.
Deixa-me acreditar que amanhã haverá de novo tudo para dar…
Que as horas não deixem traços nem mágoas nem desilusão - nem essa marca última da indiferença, da distância segura que nos protege da vida e, estranhamente, nos torna tão alheios a nós próprios.

Posted by Ana in 22:44:33 | Permalink | No Comments »