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	<title>sun flowers</title>
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	<description>"The sunflower (Helianthus) is an annual plant in the family Asteraceae. Most flowerheads on a field of blooming sunflowers  are turned towards the east, where the sun rises each morning."  </description>
	<pubDate>Thu, 12 Apr 2007 22:44:33 +0000</pubDate>
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		<title></title>
		<link>http://sunnyflowers.blog.com/2007/04/12/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2007 22:44:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial">Tinhas razão, quando dizias que a arte é o princípio de tudo.<br /></span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial">O princípio de tudo</span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial">&#160;o que é feito na crença&#160;da perfeição&#160;- mesmo que a perfeição&#160;não exista, que não passe de uma miragem inalcançável que nos permita&#160;dar&#160;o que, de outro modo, nunca teríamos acreditado ser possível dar.</span></p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial">Tinhas razão quando citavas Eça, e dizias que “a arte é tudo, tudo o resto é nada”.<br /></span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial">Nem que seja porque em tudo em que ela não existe, não existe o fermento da mudança, o deslumbramento de uma esperança sempre nova.<br /></span> <span style="font-size: 12pt; font-family: Arial"><br /></span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial">Deixa-me</span> <span style="font-size: 12pt; font-family: Arial">encher de luz este silêncio de um dia em que se deu tudo.<br />
Deixa-me acreditar&#160;que amanhã haverá de novo tudo para dar...<br />
Que as horas não deixem traços nem mágoas nem&#160;desilusão -&#160;nem&#160;essa marca&#160;última da indiferença, da distância segura que nos protege da vida e, estranhamente,&#160;nos torna tão alheios a nós próprios.</span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial"><br /></span></p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial">Tinhas razão, quando dizias que a arte é o princípio de tudo.<br /></span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial">O princípio de tudo</span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial">&#160;o que é feito na crença&#160;da perfeição&#160;- mesmo que a perfeição&#160;não exista, que não passe de uma miragem inalcançável que nos permita&#160;dar&#160;o que, de outro modo, nunca teríamos acreditado ser possível dar.</span></p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial">Tinhas razão quando citavas Eça, e dizias que “a arte é tudo, tudo o resto é nada”.<br /></span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial">Nem que seja porque em tudo em que ela não existe, não existe o fermento da mudança, o deslumbramento de uma esperança sempre nova.<br /></span> <span style="font-size: 12pt; font-family: Arial"><br /></span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial">Deixa-me</span> <span style="font-size: 12pt; font-family: Arial">encher de luz este silêncio de um dia em que se deu tudo.<br />
Deixa-me acreditar&#160;que amanhã haverá de novo tudo para dar&#8230;<br />
Que as horas não deixem traços nem mágoas nem&#160;desilusão -&#160;nem&#160;essa marca&#160;última da indiferença, da distância segura que nos protege da vida e, estranhamente,&#160;nos torna tão alheios a nós próprios.</span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial"><br /></span></p>
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		<title>[Da gaveta]</title>
		<link>http://sunnyflowers.blog.com/2007/02/28/da-gaveta/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Feb 2007 23:07:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<font size="2"><font face="trebuchet ms,geneva"><font style="FONT-FAMILY:"><br />
"A tua beleza é o travo amargo e doce do teu sorriso, os cambiantes de luz e sombra no teu olhar. A tua beleza é o lugar limbo da ternura e do desejo, esse noante onde qualquer distância é insuportável, onde mora sempre a angústia premente de um gesto impossível. A tua beleza é o sol a desenhar ondas de luz no teu cabelo, na sua cor indefinida que eu sei de cor; é a surpresa emergente da tua boca, a tua ausência tantas vezes repetida, maior e mais angustiante quando partes sem levar o teu corpo contigo.<br />
<br />
<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?>
</font><font style="FONT-FAMILY:">A tua beleza é esse condão mágico de revolveres a vida das pessoas, de subverteres as suas vidas, de lhe dares o seu veneno&#160;. A tua beleza é a tua figura recortada contra o vento a um passo das águas plúmbeas do douro, enquanto todos olham para todos e tu olhas para o horizonte, voando muito acima dos outros, como um anjo descalço e feliz, &#160;esquecido cá em baixo pelos deuses.</font></font></font><font size="2"><font face="trebuchet ms,geneva"><font style="FONT-FAMILY:">A tua beleza é o suspiro breve desse anjo, a melancolia roubada a um acorde em fá, o grito mudo e lento de algo novo e intocável a nascer, como um vento de leste a abanar as searas com doçura.<br />
<br /></font><font style="FONT-FAMILY:">A tua beleza é a revelação súbita do relâmpago, o baque surdo do trovão que o anuncia e se desfaz, num instante fugaz, em mel e luz; é o improviso de um acorde após outro, os dedos a dedilharem as cordas devagar, como quem não tem pressa, não tem nada para fazer nem para cumprir no instante que passa ou que passou e, como tal, tem todo o tempo que for preciso para ouvir a música e dar-lhe o timbre do seu próprio coração.</font> <font style="FONT-FAMILY:">A tua beleza é o sol que se desvanece devagar no teu sorriso, a sombra que turva devagar o teu olhar como as árvores a agitarem-se em sombras chinesas nas tardes de Outono.</font></font></font> <font style="FONT-FAMILY:"><br />
<br />
<br />
<font face="trebuchet ms,geneva" size="2">Olho-te em silêncio -&#160;há tanto que te quero dizer e tão fraca é a minha voz; amordaçada sub-repticiamente pelo medo e pelo cansaço, cansada pelos dias que passam e sem nada mudar adormecem - adormecida pelos dias que passam e sem nada mudar cansam -, incrustando as&#160;verdades em corais mais eternos e águas mais profundas.<br />
<br /></font></font>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="justify"><font style="FONT-FAMILY:"><font face="trebuchet ms,geneva" size="2">Olho-te em silêncio, sem te olhar; sinto o teu olhar poisar devagarinho sobre mim, como uma ave nocturna e fugidia, no intervalo preciso do tempo em que te vejo sem te olhar. A faísca do nosso olhar cruzado noutro lugar que não este tempo, como uma história roubada, sem ninguém notar, a um sítio que não existe. Como uma memória, que só existirá enquanto tu te lembrares e eu não me esquecer, um murmúrio suave do tempo, que sabe a mel e a vento e ao ar salgado da Foz nas noites frias de Dezembro."<br /></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="justify">&#160;</p>
<font style="FONT-FAMILY:"><font size="2"><font face="trebuchet ms,geneva">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; [20 Ago 2004]</font></font></font>
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			<content:encoded><![CDATA[<div><font size="2"><font face="trebuchet ms,geneva"><font style="FONT-FAMILY:"><br />
&#8220;A tua beleza é o travo amargo e doce do teu sorriso, os cambiantes de luz e sombra no teu olhar. A tua beleza é o lugar limbo da ternura e do desejo, esse noante onde qualquer distância é insuportável, onde mora sempre a angústia premente de um gesto impossível. A tua beleza é o sol a desenhar ondas de luz no teu cabelo, na sua cor indefinida que eu sei de cor; é a surpresa emergente da tua boca, a tua ausência tantas vezes repetida, maior e mais angustiante quando partes sem levar o teu corpo contigo.</p>
<p><?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /?><br />
</font><font style="FONT-FAMILY:">A tua beleza é esse condão mágico de revolveres a vida das pessoas, de subverteres as suas vidas, de lhe dares o seu veneno&#160;. A tua beleza é a tua figura recortada contra o vento a um passo das águas plúmbeas do douro, enquanto todos olham para todos e tu olhas para o horizonte, voando muito acima dos outros, como um anjo descalço e feliz, &#160;esquecido cá em baixo pelos deuses.</font></font></font><font size="2"><font face="trebuchet ms,geneva"><font style="FONT-FAMILY:">A tua beleza é o suspiro breve desse anjo, a melancolia roubada a um acorde em fá, o grito mudo e lento de algo novo e intocável a nascer, como um vento de leste a abanar as searas com doçura.</p>
<p></font><font style="FONT-FAMILY:">A tua beleza é a revelação súbita do relâmpago, o baque surdo do trovão que o anuncia e se desfaz, num instante fugaz, em mel e luz; é o improviso de um acorde após outro, os dedos a dedilharem as cordas devagar, como quem não tem pressa, não tem nada para fazer nem para cumprir no instante que passa ou que passou e, como tal, tem todo o tempo que for preciso para ouvir a música e dar-lhe o timbre do seu próprio coração.</font> <font style="FONT-FAMILY:">A tua beleza é o sol que se desvanece devagar no teu sorriso, a sombra que turva devagar o teu olhar como as árvores a agitarem-se em sombras chinesas nas tardes de Outono.</font></font></font> <font style="FONT-FAMILY:"></p>
<p>
<font face="trebuchet ms,geneva" size="2">Olho-te em silêncio -&#160;há tanto que te quero dizer e tão fraca é a minha voz; amordaçada sub-repticiamente pelo medo e pelo cansaço, cansada pelos dias que passam e sem nada mudar adormecem - adormecida pelos dias que passam e sem nada mudar cansam -, incrustando as&#160;verdades em corais mais eternos e águas mais profundas.</p>
<p></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="justify"><font style="FONT-FAMILY:"><font face="trebuchet ms,geneva" size="2">Olho-te em silêncio, sem te olhar; sinto o teu olhar poisar devagarinho sobre mim, como uma ave nocturna e fugidia, no intervalo preciso do tempo em que te vejo sem te olhar. A faísca do nosso olhar cruzado noutro lugar que não este tempo, como uma história roubada, sem ninguém notar, a um sítio que não existe. Como uma memória, que só existirá enquanto tu te lembrares e eu não me esquecer, um murmúrio suave do tempo, que sabe a mel e a vento e ao ar salgado da Foz nas noites frias de Dezembro.&#8221;<br /></font></font></p>
<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="justify">&#160;</p>
<p><font style="FONT-FAMILY:"><font size="2"><font face="trebuchet ms,geneva">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; [20 Ago 2004]</font></font></font>
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<div></div>
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		<title>Faith is a funny thing</title>
		<link>http://sunnyflowers.blog.com/2007/02/27/faith-is-a-funny-thing/</link>
		<comments>http://sunnyflowers.blog.com/2007/02/27/faith-is-a-funny-thing/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 27 Feb 2007 19:45:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p><a href="http://amadeo.blog.com/repository/161781/1784687.jpg"></a>"At the end of the day faith is a funny thing.<br />
It turns up when you don't really expect it.<br />
<br />
It's like one day you realize that the fairy tale may be slightly different than you dreamed.<br />
The castle, well, it may not be a castle. And it's not so important happy ever after, just that its happy right now.<br />
<br />
<font size="4">See once in a while, once in a blue moon, people will surprise you and, once in a while,<br />
people may even take your breath away."</font></p>
<p align="right">[Meredith Grey, in <em>Grey's Anatomy</em>]</p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><a href="http://amadeo.blog.com/repository/161781/1784687.jpg"></a>&#8220;At the end of the day faith is a funny thing.<br />
It turns up when you don&#8217;t really expect it.</p>
<p>It&#8217;s like one day you realize that the fairy tale may be slightly different than you dreamed.<br />
The castle, well, it may not be a castle. And it&#8217;s not so important happy ever after, just that its happy right now.</p>
<p><font size="4">See once in a while, once in a blue moon, people will surprise you and, once in a while,<br />
people may even take your breath away.&#8221;</font></p>
<p align="right">[Meredith Grey, in <em>Grey's Anatomy</em>]</p>
</div>
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		</item>
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		<title>Curtas da urgência</title>
		<link>http://sunnyflowers.blog.com/2007/02/26/curtas-da-urgencia/</link>
		<comments>http://sunnyflowers.blog.com/2007/02/26/curtas-da-urgencia/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Feb 2007 20:58:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p><em>[e prometo que não escrevo mais posts médicos esta semana... benvindos ao mundo das 42 horas semanais de trabalho e à ausência de outros temas interessantes de conversa no meu pequeno mundo]</em></p>
<p align="justify">O Sr. A tem 80 e muitos anos e tudo o que a idade lhe dá direito: insuficiência cardíaca congestiva, angina de peito, hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo II e, desta vez, uma infecção respiratória com insuficiência. Está deitado numa maca periclitante e está a fazer oxigenoterapia.<br />
<br />
Depois de lhe fazer o exame físico - com a atenção que resta depois de 8 horas de urgência nocturna (e 8 horas bem devidas aos lençóis), digo-lhe:<br />
<br />
- Sr. A., vou só virar-lhe as costas um bocadinho para escrever no computador o exame que lhe fiz, e daqui a pouco vou ter que o picar para ver como está o oxigénio no sangue, [vulgo gasimetria, colheita de sangue arterial, procedimento doloroso q.b. para o doente e de sucesso técnico caprichoso], pode ser?<br />
<br />
- humpf grumpf grumpf... (ou algo parecido vindo de dentro da máscara de oxigénio).<br />
<br />
<em>[Pausa na dactilografia da história, nova voltinha na cadeira, tiro a máscara.]</em><br />
<br />
- Ora diga lá, Sr. A?<br />
<br />
- Oh Dra., eu estava a dizer... mas há alguma coisa que a Dra. peça, que eu não faça com um sorriso?<br />
<br />
<br />
:D</p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><em>[e prometo que não escrevo mais posts médicos esta semana... benvindos ao mundo das 42 horas semanais de trabalho e à ausência de outros temas interessantes de conversa no meu pequeno mundo]</em></p>
<p align="justify">O Sr. A tem 80 e muitos anos e tudo o que a idade lhe dá direito: insuficiência cardíaca congestiva, angina de peito, hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo II e, desta vez, uma infecção respiratória com insuficiência. Está deitado numa maca periclitante e está a fazer oxigenoterapia.</p>
<p>Depois de lhe fazer o exame físico - com a atenção que resta depois de 8 horas de urgência nocturna (e 8 horas bem devidas aos lençóis), digo-lhe:</p>
<p>- Sr. A., vou só virar-lhe as costas um bocadinho para escrever no computador o exame que lhe fiz, e daqui a pouco vou ter que o picar para ver como está o oxigénio no sangue, [vulgo gasimetria, colheita de sangue arterial, procedimento doloroso q.b. para o doente e de sucesso técnico caprichoso], pode ser?</p>
<p>- humpf grumpf grumpf&#8230; (ou algo parecido vindo de dentro da máscara de oxigénio).</p>
<p><em>[Pausa na dactilografia da história, nova voltinha na cadeira, tiro a máscara.]</em></p>
<p>- Ora diga lá, Sr. A?</p>
<p>- Oh Dra., eu estava a dizer&#8230; mas há alguma coisa que a Dra. peça, que eu não faça com um sorriso?</p>
<p> <img src='http://c0404361.cdn.cloudfiles.rackspacecloud.com/a34a05a3acdb042df68736a2ffb885da' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
</div>
<div></div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>De volta</title>
		<link>http://sunnyflowers.blog.com/2007/02/24/de-volta/</link>
		<comments>http://sunnyflowers.blog.com/2007/02/24/de-volta/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 24 Feb 2007 05:33:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p align="justify">A preguiça foi muita, é um facto. O stress pós-traumático também :) Daí a necessidade tão genuína de não pensar, em nada, de ter uma pausa, arrumar ideias (por muito desarrumadas que elas persistam). Ter paz, ter silêncio.</p>
<p align="justify">E agora, um novo começo. Depois de tantos anos (e, não raras vezes, a dúvida da vocação, da competência, da adequação), é oficial. Esta é a profissão mais bonita do mundo. É isto que eu quero fazer, e é incrível como um dia me foi tão difícil decidir e como, agora, não me consigo sequer imaginar neste lugar.</p>
<p align="justify">Não é tão fácil como pensei. Levo comigo as perguntas difíceis que me fazem, os prognósticos que não queria dizer, a crença infantil de que a ciência possa não ser dona de tudo, que o terminal não seja terminal, que os milagres sejam possíveis. Levo comigo a sensação terrível de que, no final, somos sempre impotentes, mesmo fazendo o melhor que sabemos e, ainda assim sabendo que o destino último escapa em grande medida ao nosso controle.</p>
<p align="justify">Não é, nem de longe nem de perto, tão gratificante como pensei... É muito, muito mais!</p>
<p align="justify">Levo comigo os sorrisos agradecidos pelo infinitamente pouco que se fez...<br />
<br />
...a D. M. que no final da urgencia se abraça a mim e diz"se soubesse que ia ser tão bem atendida tinha-lhe trazido uma toalha bordada, sabe que eu tenho muito jeito" :D; a M. que teve uma noite mais louca de discoteca e sai depois de umas horas de soro, com a mini-saia e uns sapatos de plástico azul gentilmente cedidos pelo serviço de urgência, vencida pelo cansaço e furiosa por lhe terem deixado os sapatos novos na discoteca... fica um sorriso feliz impossível de conter por essa fragilidade humana que nos torna todos iguais, apesar de tudo...</p>
<p align="justify"></p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p align="justify">A preguiça foi muita, é um facto. O stress pós-traumático também <img src='http://c0404161.cdn.cloudfiles.rackspacecloud.com/16442ca129554f399ff7b46457727509' alt=':)' class='wp-smiley' /> Daí a necessidade tão genuína de não pensar, em nada, de ter uma pausa, arrumar ideias (por muito desarrumadas que elas persistam). Ter paz, ter silêncio.</p>
<p align="justify">E agora, um novo começo. Depois de tantos anos (e, não raras vezes, a dúvida da vocação, da competência, da adequação), é oficial. Esta é a profissão mais bonita do mundo. É isto que eu quero fazer, e é incrível como um dia me foi tão difícil decidir e como, agora, não me consigo sequer imaginar neste lugar.</p>
<p align="justify">Não é tão fácil como pensei. Levo comigo as perguntas difíceis que me fazem, os prognósticos que não queria dizer, a crença infantil de que a ciência possa não ser dona de tudo, que o terminal não seja terminal, que os milagres sejam possíveis. Levo comigo a sensação terrível de que, no final, somos sempre impotentes, mesmo fazendo o melhor que sabemos e, ainda assim sabendo que o destino último escapa em grande medida ao nosso controle.</p>
<p align="justify">Não é, nem de longe nem de perto, tão gratificante como pensei&#8230; É muito, muito mais!</p>
<p align="justify">Levo comigo os sorrisos agradecidos pelo infinitamente pouco que se fez&#8230;</p>
<p>&#8230;a D. M. que no final da urgencia se abraça a mim e diz&#8221;se soubesse que ia ser tão bem atendida tinha-lhe trazido uma toalha bordada, sabe que eu tenho muito jeito&#8221; :D; a M. que teve uma noite mais louca de discoteca e sai depois de umas horas de soro, com a mini-saia e uns sapatos de plástico azul gentilmente cedidos pelo serviço de urgência, vencida pelo cansaço e furiosa por lhe terem deixado os sapatos novos na discoteca&#8230; fica um sorriso feliz impossível de conter por essa fragilidade humana que nos torna todos iguais, apesar de tudo&#8230;</p>
<p align="justify">
</div>
<div></div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Tempo</title>
		<link>http://sunnyflowers.blog.com/2006/11/13/tempo/</link>
		<comments>http://sunnyflowers.blog.com/2006/11/13/tempo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 13 Nov 2006 20:05:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p><a href="http://amadeo.blog.com/repository/161781/1401875.jpg"></a></p>
<div style="TEXT-ALIGN: center"><img style="WIDTH: 174px; HEIGHT: 168px" height="279" src="http://amadeo.blog.com/repository/161781/1401875.400.p.tn.jpg" width="295" /></div>
<p align="justify">Seria mais fácil se fosse possível fazer as coisas por etapas, e em cada um delas dedicar-me apenas e só a uma causa...<br />
<br />
Custa-me que este exame, o grande exame que nos passa de um estudante de medicina crescido num médico recém-nascido, com tudo por aprender, seja tão importante - &#160;ou, não o sendo, que o pareça.&#160;<br />
Custa-me não ser capaz de fazer um intervalo em tudo, apenas para me dedicar a fundo a isto e ter a certeza que o resultado será o melhor que eu posso dar.<br />
E custa-me que, às vezes, nem eu própria já consiga compreender este cansaço e esta causa.<br />
<br />
Seria mais fácil, sem dúvida, se fosse possível fazer disto um parêntesis no tempo.<br />
Julguei que fosse mais fácil separar tudo do resto, mas continua a ser preciso disponibilidade para os outros, sorrisos. Continua a ser preciso tempo para ouvir, para ajudar em mil e uma coisas. Continua a ser preciso brincar com os outros, para que os dias sejam mais fáceis. Julguei que ia ser mais fácil - como sempre dizem, as pessoas compreendem. O que eu não estava à espera é que eu própria precisasse tanto destas pequenas coisas.<br />
<br />
Não é fácil dizer que não a tanta coisa, que rouba(?) tempo ao trabalho, mas acrescenta tempo à vida, que ajuda a manter laços, a manter a teia que liga ao mundo, que continua lá e não quer saber de momentos parados e de importância sobrestimada. "Faz-se o que se pode" - cai-se nas frases feitas. Faz-se menos (ou trabalha-se menos) e, apesar da recordação agridoce do dever incumprido, o coração fica mais cheio.<br />
Estuda-se até mais tarde,&#160;volta-se da festa mais cedo (mas vai-se&#160;à festa na mesma!! :P).<br />
Para criar tempo dentro do tempo para quem interessa, para o que faz sorrir, para o que dá alento para continuar.</p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><a href="http://amadeo.blog.com/repository/161781/1401875.jpg"></a></p>
<div style="TEXT-ALIGN: center"><img style="WIDTH: 174px; HEIGHT: 168px" height="279" src="http://amadeo.blog.com/repository/161781/1401875.400.p.tn.jpg" width="295" /></div>
<p align="justify">Seria mais fácil se fosse possível fazer as coisas por etapas, e em cada um delas dedicar-me apenas e só a uma causa&#8230;</p>
<p>Custa-me que este exame, o grande exame que nos passa de um estudante de medicina crescido num médico recém-nascido, com tudo por aprender, seja tão importante - &#160;ou, não o sendo, que o pareça.&#160;<br />
Custa-me não ser capaz de fazer um intervalo em tudo, apenas para me dedicar a fundo a isto e ter a certeza que o resultado será o melhor que eu posso dar.<br />
E custa-me que, às vezes, nem eu própria já consiga compreender este cansaço e esta causa.</p>
<p>Seria mais fácil, sem dúvida, se fosse possível fazer disto um parêntesis no tempo.<br />
Julguei que fosse mais fácil separar tudo do resto, mas continua a ser preciso disponibilidade para os outros, sorrisos. Continua a ser preciso tempo para ouvir, para ajudar em mil e uma coisas. Continua a ser preciso brincar com os outros, para que os dias sejam mais fáceis. Julguei que ia ser mais fácil - como sempre dizem, as pessoas compreendem. O que eu não estava à espera é que eu própria precisasse tanto destas pequenas coisas.</p>
<p>Não é fácil dizer que não a tanta coisa, que rouba(?) tempo ao trabalho, mas acrescenta tempo à vida, que ajuda a manter laços, a manter a teia que liga ao mundo, que continua lá e não quer saber de momentos parados e de importância sobrestimada. &#8220;Faz-se o que se pode&#8221; - cai-se nas frases feitas. Faz-se menos (ou trabalha-se menos) e, apesar da recordação agridoce do dever incumprido, o coração fica mais cheio.<br />
Estuda-se até mais tarde,&#160;volta-se da festa mais cedo (mas vai-se&#160;à festa na mesma!! :P).<br />
Para criar tempo dentro do tempo para quem interessa, para o que faz sorrir, para o que dá alento para continuar.</p>
</div>
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		</item>
		<item>
		<title>Piazolla &#38; Yo-Yo Ma</title>
		<link>http://sunnyflowers.blog.com/2006/10/22/piazolla-yo-yo-ma/</link>
		<comments>http://sunnyflowers.blog.com/2006/10/22/piazolla-yo-yo-ma/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 22 Oct 2006 21:24:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p align="right"><em><font size="4">[A um amigo único e atento, presente mesmo quando&#160;distante,<br />
e&#160;que traz a música dentro de si...]</font></em></p>
<p><object height="350" width="425"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/uJC2bOmAEn8" />
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<p align="justify">Muitos anos depois de me teres apresentado o Piazzolla, que boa surpresa o<br />
Yo-Yo Ma... Aqui estão, os dois, num grande momento de recriação do Libertango.</p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p align="right"><em><font size="4">[A um amigo único e atento, presente mesmo quando&#160;distante,<br />
e&#160;que traz a música dentro de si...]</font></em></p>
<p><object height="350" width="425"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/uJC2bOmAEn8" /><param name="wmode" value="transparent" /><embed src="http://www.youtube.com/v/uJC2bOmAEn8" mce_src="http://www.youtube.com/v/uJC2bOmAEn8" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350" /></object></p>
<p align="justify">Muitos anos depois de me teres apresentado o Piazzolla, que boa surpresa o<br />
Yo-Yo Ma&#8230; Aqui estão, os dois, num grande momento de recriação do Libertango.</p>
</div>
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		<title>O sorriso</title>
		<link>http://sunnyflowers.blog.com/2006/10/18/o-sorriso/</link>
		<comments>http://sunnyflowers.blog.com/2006/10/18/o-sorriso/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 18 Oct 2006 23:03:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p><em>Creio que foi o sorriso,<br />
o sorriso foi quem abriu a porta.<br />
<br />
Era um sorriso com muita luz lá dentro,<br />
apetecia entrar nele,<br />
tirar a roupa,<br />
ficar nu dentro daquele sorriso.<br />
<br />
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.</em><br />
<br />
<br />
Eugénio de Andrade<br />
<br /></p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><em>Creio que foi o sorriso,<br />
o sorriso foi quem abriu a porta.</p>
<p>Era um sorriso com muita luz lá dentro,<br />
apetecia entrar nele,<br />
tirar a roupa,<br />
ficar nu dentro daquele sorriso.</p>
<p>Correr, navegar, morrer naquele sorriso.</em></p>
<p>
Eugénio de Andrade</p>
</div>
<div></div>
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		<item>
		<title>Caleidoscópio</title>
		<link>http://sunnyflowers.blog.com/2006/10/17/caleidoscopio/</link>
		<comments>http://sunnyflowers.blog.com/2006/10/17/caleidoscopio/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 17 Oct 2006 21:40:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p align="justify">"<em><font size="2">De um modo tão claro, o mundo abre-se à minha frente. Tantas mudanças e tanta responsabilidade, com o contraponto inegavelmente compensador de fazer as coisas e resolver os problemas por mim própria... E, apesar de sentir esta gente tão igual a mim, com o mesmo calor no sangue e a mesma alegria no sorriso, um sabor agridoce persiste no final. Não de solidão, porque tantas vezes a distância se revela a proximidade... mas de algo que eu dificilmente consigo definir, como se faltasse algo sem o qual o quadro não está completo.</font></em></p>
<p align="justify"><em><font size="2">Estar fora do meu mundo, em tantos aspectos, torna-me alguém maior do que eu alguma vez julguei poder ser. Mais uma vez, um amigo que eu nunca poderei esquecer disse palavras que se tornaram um destino: "viver uma vida diferente, num lugar estranho, mostra-te com certeza quão amplos os horizontes podem ser, mas dificilmente mudará a pessoa que tu és". E, tantas vezes, os horizontes e as limitações são as regras a que nós próprios nos impomos (muito antes dos outros o fazerem), as coisas que não fazemos apenas porque pareceriam estranhas, ou pouco adequadas.</font></em></p>
<p align="justify"><em><font size="2">Tão longe de casa (de tantas maneiras), cada vez mais tenho a revelação de que nós podemos ser tudo, não ter amarras nem ideias pré-concebidas sobre nós mesmos - e fazer apenas aquilo que é natural e intuitivo (mesmo que não previsível), respirar alegria como se essa fosse a nossa verdade última.</font></em></p>
<p align="justify"><em><font size="2">E sentir o tempo a passar, longe de tanto ruído, é tão fácil abstrair-me dos meus medos, estar mais próxima de mim."</font></em></p>
<p align="right">Catania, Itália<br />
Julho 2006</p>
<p align="right"><a href="http://amadeo.blog.com/repository/161781/1294827.jpg"></a></p>
<div style="TEXT-ALIGN: center"><img style="WIDTH: 230px; HEIGHT: 255px" height="283" src="http://amadeo.blog.com/repository/161781/1294827.400.p.tn.jpg" width="222" /></div>
<p align="right"></p>
<p align="justify">Há histórias que acontecem assim.<br />
Não estamos à espera, mas não negamos a possibilidade.<br />
Acontecem, como um capítulo à parte, uma história paralela dentro da nossa própria história.</p>
<p align="justify">E é sempre tão bom (quase irresistível), voltar a essas memórias. É por isso que qualquer memória de Itália me arranca, tantos meses depois, um sorriso igualmente sincero e uma alegria genuína. Uma alegria que eu não consigo sequer atribuir a um momento.<br />
Podia ser por toda a gente incrível que conheci, ou pela aventura constante de viver numa cidade completamente nova, ou pela disponibilidade profissional com que todos nos receberam...<br />
Podia ser pelas histórias compartilhadas à luz da fogueira, onde os nomes eram o menos importante; podia ser pelo banho de mar à meia-noite a ver estrelas cadentes (como manda a tradição!), ou podia ser pelos inigualáveis <em>granita di mandorla</em> ou <em>frappé à la nutella</em> (hum!!)...<br />
Podia ser por tanta coisa em particular - ou talvez apenas pela cor indefinida que liga todo estes momentos num mesmo espectro de luz.</p>
<p align="justify">Acima de tudo, vale pelo regresso, por tudo o que de novo se traz (e aqui eu tenho que dar razão, qualquer experiência Erasmus ou semelhante dá muito, mesmo no caso das pessoas que vão e voltam sem saber cozinhar ;)); vale pelo valor acrescido (ou apenas real e subitamente descoberto) que se passa a dar a tantos tipos de coisas boas que tomamos como dados adquiridos.<br />
<br />
Hoje, para mim, vale pela surpresa que foi reler este desabafo, perdido nas primeiras páginas do Moleskine, e tão adequado a este momento. Um momento em que, de novo, o mundo se abre num caleidoscópio de possibilidades - onde as escolhas precisam de ser feitas... e onde é bom acreditar que <em><font size="2">"nós podemos ser tudo, não ter amarras nem ideias pré-concebidas sobre nós mesmos - e fazer apenas aquilo que é natural e intuitivo (mesmo que não previsível), respirar alegria como se essa fosse a nossa verdade última".</font></em></p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p align="justify">&#8220;<em><font size="2">De um modo tão claro, o mundo abre-se à minha frente. Tantas mudanças e tanta responsabilidade, com o contraponto inegavelmente compensador de fazer as coisas e resolver os problemas por mim própria&#8230; E, apesar de sentir esta gente tão igual a mim, com o mesmo calor no sangue e a mesma alegria no sorriso, um sabor agridoce persiste no final. Não de solidão, porque tantas vezes a distância se revela a proximidade&#8230; mas de algo que eu dificilmente consigo definir, como se faltasse algo sem o qual o quadro não está completo.</font></em></p>
<p align="justify"><em><font size="2">Estar fora do meu mundo, em tantos aspectos, torna-me alguém maior do que eu alguma vez julguei poder ser. Mais uma vez, um amigo que eu nunca poderei esquecer disse palavras que se tornaram um destino: &#8220;viver uma vida diferente, num lugar estranho, mostra-te com certeza quão amplos os horizontes podem ser, mas dificilmente mudará a pessoa que tu és&#8221;. E, tantas vezes, os horizontes e as limitações são as regras a que nós próprios nos impomos (muito antes dos outros o fazerem), as coisas que não fazemos apenas porque pareceriam estranhas, ou pouco adequadas.</font></em></p>
<p align="justify"><em><font size="2">Tão longe de casa (de tantas maneiras), cada vez mais tenho a revelação de que nós podemos ser tudo, não ter amarras nem ideias pré-concebidas sobre nós mesmos - e fazer apenas aquilo que é natural e intuitivo (mesmo que não previsível), respirar alegria como se essa fosse a nossa verdade última.</font></em></p>
<p align="justify"><em><font size="2">E sentir o tempo a passar, longe de tanto ruído, é tão fácil abstrair-me dos meus medos, estar mais próxima de mim.&#8221;</font></em></p>
<p align="right">Catania, Itália<br />
Julho 2006</p>
<p align="right"><a href="http://amadeo.blog.com/repository/161781/1294827.jpg"></a></p>
<div style="TEXT-ALIGN: center"><img style="WIDTH: 230px; HEIGHT: 255px" height="283" src="http://amadeo.blog.com/repository/161781/1294827.400.p.tn.jpg" width="222" /></div>
<p align="right">
<p align="justify">Há histórias que acontecem assim.<br />
Não estamos à espera, mas não negamos a possibilidade.<br />
Acontecem, como um capítulo à parte, uma história paralela dentro da nossa própria história.</p>
<p align="justify">E é sempre tão bom (quase irresistível), voltar a essas memórias. É por isso que qualquer memória de Itália me arranca, tantos meses depois, um sorriso igualmente sincero e uma alegria genuína. Uma alegria que eu não consigo sequer atribuir a um momento.<br />
Podia ser por toda a gente incrível que conheci, ou pela aventura constante de viver numa cidade completamente nova, ou pela disponibilidade profissional com que todos nos receberam&#8230;<br />
Podia ser pelas histórias compartilhadas à luz da fogueira, onde os nomes eram o menos importante; podia ser pelo banho de mar à meia-noite a ver estrelas cadentes (como manda a tradição!), ou podia ser pelos inigualáveis <em>granita di mandorla</em> ou <em>frappé à la nutella</em> (hum!!)&#8230;<br />
Podia ser por tanta coisa em particular - ou talvez apenas pela cor indefinida que liga todo estes momentos num mesmo espectro de luz.</p>
<p align="justify">Acima de tudo, vale pelo regresso, por tudo o que de novo se traz (e aqui eu tenho que dar razão, qualquer experiência Erasmus ou semelhante dá muito, mesmo no caso das pessoas que vão e voltam sem saber cozinhar ;)); vale pelo valor acrescido (ou apenas real e subitamente descoberto) que se passa a dar a tantos tipos de coisas boas que tomamos como dados adquiridos.</p>
<p>Hoje, para mim, vale pela surpresa que foi reler este desabafo, perdido nas primeiras páginas do Moleskine, e tão adequado a este momento. Um momento em que, de novo, o mundo se abre num caleidoscópio de possibilidades - onde as escolhas precisam de ser feitas&#8230; e onde é bom acreditar que <em><font size="2">&#8220;nós podemos ser tudo, não ter amarras nem ideias pré-concebidas sobre nós mesmos - e fazer apenas aquilo que é natural e intuitivo (mesmo que não previsível), respirar alegria como se essa fosse a nossa verdade última&#8221;.</font></em></p>
</div>
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		</item>
		<item>
		<title>A beleza, por Ricky Fitts</title>
		<link>http://sunnyflowers.blog.com/2006/10/10/a-beleza-por-ricky-fitts/</link>
		<comments>http://sunnyflowers.blog.com/2006/10/10/a-beleza-por-ricky-fitts/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 10 Oct 2006 20:55:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<em><font size="3"><font color="#330000"><a href="http://amadeo.blog.com/repository/161781/1268970.jpg"></a></font></font></em>
<div style="TEXT-ALIGN: center"><em><font size="3"><font color="#330000"><font face="trebuchet ms,geneva"><img style="WIDTH: 251px; HEIGHT: 187px" height="198" src="http://amadeo.blog.com/repository/161781/1268970.200.p.tn.jpg" width="228" /></font></font></font></em></div>
<font face="trebuchet ms,geneva">&#160;</font>
<p><font face="trebuchet ms,geneva"><font size="2">"<em>It was one of those days when it's a minute away from snowing and there's this electricity in the air, you can almost hear it.<br />
<br />
And this bag was, like, dancing with me.<br />
Like a little kid begging me to play with it. For fifteen minutes.<br />
<br />
And that's the day I knew there was this entire life behind things, and... this incredibly benevolent force, that wanted me to know there was no reason to be afraid, ever.<br />
Video's a poor excuse, I know.</em></font> <em><br />
<br /></em></font><font face="trebuchet ms,geneva"><em><font size="3">But it helps me remember... and I need to remember...<br />
Sometimes there's so much beauty in the world I feel like I can't take it, like my heart's going to cave in</font>."</em></font></p>
<p align="right"><em><font face="trebuchet ms,geneva"><font color="#330000">[Ricky Fitts,</font> in American Beauty]</font></em></p>
<p align="left"><font face="trebuchet ms,geneva">Tão óbvio. E tão fácil de esquecer.</font></p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><em><font size="3"><font color="#330000"><a href="http://amadeo.blog.com/repository/161781/1268970.jpg"></a></font></font></em></p>
<div style="TEXT-ALIGN: center"><em><font size="3"><font color="#330000"><font face="trebuchet ms,geneva"><img style="WIDTH: 251px; HEIGHT: 187px" height="198" src="http://amadeo.blog.com/repository/161781/1268970.200.p.tn.jpg" width="228" /></font></font></font></em></div>
<p><font face="trebuchet ms,geneva">&#160;</font></p>
<p><font face="trebuchet ms,geneva"><font size="2">&#8220;<em>It was one of those days when it&#8217;s a minute away from snowing and there&#8217;s this electricity in the air, you can almost hear it.</p>
<p>And this bag was, like, dancing with me.<br />
Like a little kid begging me to play with it. For fifteen minutes.</p>
<p>And that&#8217;s the day I knew there was this entire life behind things, and&#8230; this incredibly benevolent force, that wanted me to know there was no reason to be afraid, ever.<br />
Video&#8217;s a poor excuse, I know.</em></font> <em></p>
<p></em></font><font face="trebuchet ms,geneva"><em><font size="3">But it helps me remember&#8230; and I need to remember&#8230;<br />
Sometimes there&#8217;s so much beauty in the world I feel like I can&#8217;t take it, like my heart&#8217;s going to cave in</font>.&#8221;</em></font></p>
<p align="right"><em><font face="trebuchet ms,geneva"><font color="#330000">[Ricky Fitts,</font> in American Beauty]</font></em></p>
<p align="left"><font face="trebuchet ms,geneva">Tão óbvio. E tão fácil de esquecer.</font></p>
</div>
<div></div>
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			<wfw:commentRss>http://sunnyflowers.blog.com/2006/10/10/a-beleza-por-ricky-fitts/feed/</wfw:commentRss>
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